Hoje foi um dia muito difícil, pois fui com a minha neta à campa do meu falecido marido. Já la vão oito anos e uns meses que me deixou, sozinha no mundo, do dia para a noite, sem deixar recado ou se despedir. Mas consegui ultrapassar com a ajuda da minha da minha filha e neta.
Logo pela manhã, oito em ponto, o céu ainda a abrir e eu e a Camila estávamos na paragem de autocarro, geladas, com os dentes a bater e o autocarro estava atrasado. Por fim apanhá-mo-lo e fomos direitas ao cemitério. Mas reparei que, para o dia que é, ela estava muito feliz. Desde a entrada até à saída ela esteve sempre distraída com um sorriso estampado na cara.
Voltamos para casa e ela não parava de sorrir. Parecia que era um dia feliz para ela, enquanto que para mim era um dia de saudade.
Ela negava, mas ninguém me tirava da ideia de que ela está apaixonada. Daqueles amores à primeira vista dos adolescentes, é normal na idade dela , mas estranho num dia destes.
Rui Andrade, Nº 13
